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04 de fevereiro de 2016

AGRONEGÓCIOS - Milho: o Brasil tem fôlego para alcançar os EUA?

Em 2015/2016, produtividade média brasileira bateu na casa de 5,3 ton/ha. Nos Estados Unidos chega a 10,7

Marina Salles

Neste início de ano foi anunciado que um produtor do Estado da Virgínia, nos Estados Unidos, bateu o recorde mundial de produtividade de milho. David Hula alcançou a marca de 33 ton/ha na categoria plantio direto irrigado. O volume chega a ser três vezes maior do que a média do país na safra 2015/2016, que foi de 10,7 ton/ha, segundo o USDA. O Brasil não come poeira, mas tem muito chão para percorrer até atingir o patamar norte-americano.

Hoje, a média nacional sem irrigação é de aproximadamente 5,3 ton/ha. De acordo com estimativa da Conab para o ciclo 2015/2016, a produtividade da primeira safra foi de 4,9 ton/ha, sendo esperados para a segunda 5,7 ton/ha. Com a valorização da commodity, que acumula alta de 18% em janeiro, o Brasil tem a oportunidade de tornar-se um grande fornecedor do mercado internacional, mas a pergunta é: qual a receita para aumentar a produtividade e, portanto, a competitividade do produto nacional no mercado externo?

Certamente, não se trata de oferecer vitamina de abacate à lavoura ou de cercar pequenos talhões de cuidados especiais. "Investimento em pesquisa, sim", responde Antônio Alberto Gomes da Silva, gerente comercial da cooperativa Frísia Agroindustrial, localizada em Carambeí, no Paraná. Com produtividade acima da média brasileira na primeira safra, o Estado registrou produção de 8,6 ton de milho/ha no ciclo 2015/2016. Na região onde fica a cooperativa esse número foi ainda maior: 9,9 ton/ha.

P&D

Silva afirma que os resultados são reflexo do trabalho da Fundação ABC, entidade particular sem fins lucrativos que desenvolve tecnologias no setor agropecuário exclusivamente para seus associados. Sementes, fertilizantes, defensivos, nada é levado para a lavoura comercial sem antes passar por testes. "Nossos técnicos orientam o produtor a só utilizar aquilo que foi testado e aprovado para sua microrregião". O clima também é monitorado do centro de pesquisas: o regime de chuvas e a temperatura para definir a melhor janela de plantio. "Buscamos as melhores condições para tudo, porque achar que agricultura é colocar uma semente na terra e depois colher o que plantou é o que faz a produtividade ir lá para baixo", afirma Silva.

Clima

Nery Ribas, diretor técnico da Aprosoja, lembra que, diferente do Sul, onde a primeira safra tem maior destaque, no Centro-Oeste o milho safrinha corresponde a quase toda a produção, e esbarra no clima seco para se desenvolver. "A falta de chuvas e os veranicos são o principal entrave ao aumento da produtividade no Brasil Central", argumenta. Segundo Ribas, o milho é muito exigente quanto a insolação, temperatura e umidade, o que faz com que períodos de estiagem "quebrem as pernas" dos agricultores.

"Em termos de manejo, o produtor tem se mostrado responsável, até porque, se não for assim, mal consegue produzir no Centro-Oeste. Há anos, os agricultores corrigem o perfil do solo, plantam sobre a palhada e usam fertilizantes para aumentar o potencial das cultivares", diz.

Na comparação com os Estados Unidos, ele é crítico. "O que eu posso dizer é que somos alunos de pré-primário com condições de se desenvolver. Estamos chegando cada vez mais perto em questão de produtividade em algumas regiões, mas comparar não dá, por causa do clima. No Brasil, as condições também são mais favoráveis para as pragas, então, o que vai pesar nesse avanço é o custo-benefício", completa.  

Horizonte promissor

Para o ex-ministro da Agricultura Alysson Paulinelli, presidente executivo da Abramilho, o Brasil tem fôlego para crescer em produtividade e aumentar significativamente a produção. "É o que demonstram o domínio do cultivo no Cerrado, implantação da safrinha, plantio direto e possibilidade de recuperação de pastos degradados. Isso sem falar no potencial de irrigação do país".

"Nos Estados Unidos, os agricultores não têm clima para plantar duas vezes ao ano e, por isso, investem toda energia em uma grande safra. O resultado são híbridos adaptados a cada uma das regiões produtoras e dispêndio de fertilizantes que chega a ser de 500 a 1.000 kg/ha, enquanto nós usamos 200 kg/ha", afirma o presidente da Abramilho.

Diferente do grande produtor do Hemisfério Norte, segundo Paulinelli o Brasil pode "parcelar" sua produção, seja ampliando a área plantada na segunda safra, seja irrigando áreas onde falta chuva, como é o caso do Matopiba. Ou promovendo o plantio do milho onde há condições de implementar sistemas de Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF). De olho no futuro, Paulinelli acredita que não vá demorar muito tempo para o Brasil ombrear os EUA também nessa cultura. 

Fonte: Portal DBO

Fonte: http://www.portaldbo.com.br/Agro-DBO/Noticias/Milho-o-Brasil-tem-folego-para-alcancar-os-EUA/15204

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